terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Filosofias riscadas da História: George Gurdjieff

George Gurdjieff foi um filósofo russo do século 19 que desenvolveu um entendimento interessante de visão de mundo muito interessante, ele passou a procurar sem descanso respostas práticas para respostas filosóficas mais comuns e simples da humanidade: Quem sou eu? Por que estou aqui? Qual o propósito da vida, e o da vida humana em particular?

Esse russo desenvolveu um pensamento de que, segundo o gurdjieff.org.br (Instituto Gurdjieff do Brasil) seria de que como o dia-a-dia da vida moderna, tudo tornou-se em condições cada vez mais anormais, o que faz com que não mais funcionemos de maneira harmoniosa, por assim dizer, e por isso devemos desenvolver uma maneira de ‘trabalharmos nós mesmos’ para preencher esse vazio... Esse é o entendimento que eu abstraí do que li a respeito da filosofia do mesmo.

Ele chegou a desenvolver um livro de aproximadamente mil páginas chamado ‘Tudo e todas as coisas’, um livro que se trata de... Tudo e todas as coisas! Simples! A criação dele que não deve ter sido simples... Ele demorou 20 a 30 anos para ser concluído, sempre repassando aos seus discípulos capítulos escritos e depois de relidos e o feedback dos mesmos, ele reescrevia todo o capítulo do livro e repassada para os discípulos lerem o mesmo, ele buscou em sua obra criar algo no ápice de tudo que desenvolveu com base de pesquisas, leituras, discussões e meditação.

A comercialização da obra foi de 100 páginas da mesma, na qual o leitor poderia adquirir a obra e se quisessem ler as 900 páginas restantes ele iria adquirir o restante. Se quisesse desistir da compra adquirida ele poderia devolver o livro de 100 páginas e ter seu dinheiro de volta. O preço também era sem métrica ou lógica de composição de preço, analisando o freguês o livro poderia sair bem barato, como $10 ou bem caro como $10.000... E dependendo da pessoa que for procurar, só adquiririam mesmo se fosse $10.000. O livro foi editado por conta de Gurdjieff, então nada podiam fazer, a maioria foi devolvida e pouquíssimos chegaram a pegar as 900 páginas restantes.

George Gurdjieff se cuidou em evoluir sua criação ao máximo, escrevia termos dialécticos que não possuíam escrita idiomática definida pois eram apenas falados e não possuem dicionário do mesmo, algumas dessas palavras e outras que provavelmente foram inventadas de contrações idiomáticas aumentavam a complexidade do entendimento do texto. Talvez isso seja proposital para causar impacto no desenvolvimento do individuo, seja uma maneira de avaliar, embora seja apenas um livro, o quanto a pessoa está buscando aquele conhecido contido em sua obra.

Pesquisando a respeito da filosofia criada por Gurdjieff, eu cheguei a conclusão de que é uma filosofia realmente de impacto: Ele primeiramente redefiniu o conceito de alma, segundo ele o ser humano, assim como nasce sem se desenvolver fisicamente, também não se desenvolveu espiritualmente... Então o que seria o ‘desenvolver espiritualmente?’ Seria fazer catequese? Ir a sinagoga, igreja, mosteiro? Esse conceito de evolução ele utilizou a palavra Alma... Ou seja, a pessoa não nasce com alma, ela pode desenvolve-la ou não no decorrer da vida, é algo que pode ser optativo, é diferente de simplesmente esperar o tempo aparecer e de um recém-nascido a pessoa se tornar adulta, por exemplo.

Em vida ele perambulou pelo mundo abrindo e fechando escola e nas mesmas ele conheceu e teve contato com várias pessoas, mas a maioria não resistia a poucos dias de contato com o Gurdjieff, devido a seu método pouco convencional de instruí-los. Exemplo que tenho a comentar foi de um jovem que estava sendo instruído por Gurdjieff e o mesmo o instruiu a cavar um buraco de 2 metros de dificuldade por 6 de comprimento, sem descanso ou pausa alguma. Obviamente o aluno resolveu cavar rápido para concluir rápido o serviço e assim o fez. Assim que concluiu o trabalho e apresentou-o para Gurdjieff, o mesmo o instruiu a tapar o buraco com terra a ficar da mesma maneira de antes do aluno ter iniciado a cavar, sem pausas... Isso deve ter deixado o aluno indignado, mas assim ele o fez.

A moral desse caso é que quando nós estamos com algum objetivo em mente, com alguma lógica, sentido, seja lá o que for que siga essa linha de raciocínio e de repente nos deparamos com mais algo a ser feito e que contraria toda aquela lógica, aquele sentido, aquele objetivo... A pessoa sente-se revigorada... Hahaha com certeza indignada também, mas sente-se revigorada. É uma sensação de desanimo por que viu que foi em vão? Também pode ser isso, mas o fato é que mesmo cansado e com fome esse aluno sentiu-se revigorado, seu espírito revigorou-se, sua alma desenvolveu-se.

Isso me recorda de um caso de Buda e um aluno dele, com ele já mais idoso. Ele estava passeando com seu aluno e passaram por um riacho, então depois de alguns quilômetros Buda pede para que o aluno fosse até o riacho e pegasse água para ele, o aluno assim o fez, voltou até o riacho e viu algumas carroças passando por ele e o riacho ficou bastante poluído, a água estava suja de lama, então o aluno tentou assentar a água e retirar um pouco para Buda... Sem sucesso tentou, tentou e tentou, depois de tanto tentar retornou até Buda. Diante de Buda, disse que não conseguira retirar a água, mas que havia um outro riacho a alguns quilômetros a frente, Buda apenas respondeu que era para ele voltar e trazer a água. Quando voltou o aluno vira que a água estava limpa novamente e então pegou a água.

A moral desse caso de Buda é bem semelhante... O aluno quebrou o método desenvolvido por Buda que é o de participar de suas emoções e da circunstanciasvivenciou a ciência desenvolvida por Gurdjieff também, ele certamente foi objetivando chegar até o riacho e pegar a água em boa qualidade de qualquer forma e traze-la até seu mestre, deve ter tentado diversas vezes, se descabelado, se irritado, mas sem sucesso, e depois disso? Seu espírito revigorou-se, teve forças para voltar até Buda e depois para voltar até o riacho e colher a água limpa... Sua alma evoluiu.

É interessante pensar como filosofias distintas, de milhares e milhares de anos de diferença, e alguns milhares de quilômetros de distancia... Uma muito diferente da outra carregar algum traço em si.

É vergonhoso chegar à conclusão que depois de concluir o ensino básico, fundamental, médio, superior e estar em uma pós-graduação... Em momento algum eu sequer fui instruído de que houveram essas filosofias desenvolvidas, e aposto que não foi apenas comigo que isso aconteceu. O que será que isso significa?

Para os mais curiosos, o instituto Gurdjieff Brasil tem o link de um site que comercializa um livro escrito por Gurdjieff chamado ‘Relatos de Belzebu a seu Neto – Do todo e de tudo’ que tem 1176 páginas. Antes de morrer eu pretendo ler esse livro... Segundo a sinopse, trata de uma maneira de mostrar como a vida humana está desenvolvendo-se em direção ao vazio de significado.

Muito bom ter descoberto que um livro de 1176 páginas da época de 1950 (Segundo pesquisa, Gurdjieff deve ter morrido em 1949, mas deve ter desenvolvido esse livro e outra pessoa o concluiu e publicou, enfim) querer retratar algo que eu vejo e sinto com tamanha clareza: O vazio pela qual todas as pessoas estão se tornando. 

Instituto Gurdjieff do Brasil

Obs: Achei interessante a editora do livro, Hórus Editora, hehehe. Livro

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